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A
população, de um modo geral, não conhecia o termo
osteoporose, mas, a partir de meados da década de 90
está se inteirando melhor do seu significado. Ocorre
que toda esta mudança no comportamento médico com relação
aos hormônios possui estreita ligação com a
osteoporose.
O
que é osteoporose?
É
uma enfermidade do osso que se caracteriza pela perda
progressiva e muito lenta do conteúdo de cálcio,
causando perda da massa óssea. A massa óssea diminuída
irá causar a queda da densidade óssea, causando, como
conseqüência, porosidade do tecido ósseo ou
osteoporose.
Existem
muitos tipos de osteoporose com suas respectivas causas.
Vamos fazer breves comentários sobre a osteoporose da pós-menopausa.
É semelhante à osteoporose senil que também afeta o
homem, mas com mecanismos que diferem um pouco entre si.
O corpo
humano, a grosso modo, possui um sistema que leva cálcio
novo para dentro da massa óssea e que remove o cálcio
velho, promovendo, dessa forma, uma constante renovação
deste elemento dentro do osso. Esse sistema é muito
complexo, havendo concorrência entre as principais glândulas
de secreção interna como a tireóide, através dos
hormônios paratireoideo e calcitonina, os ovários, as
supra-renais e a própria hipófise que comanda a todas
elas. Na menopausa, a perda do cálcio está aumentada,
ou melhor dito, os mecanismos de reposição estão
diminuídos pela falta dos hormônios estrogênicos
produzidos pelos ovários que insentivam a reposição
do cálcio no osso. Como conseqüência e com o passar
dos anos, ocorre o empobrecimento do osso do elemento cálcio
e a massa óssea diminui, advindo com isso a
osteoporose.
Como
ilustração, vou comentar uma estatística americana
sobre a osteoporose. Aproximadamente 45 milhões de
mulheres com idade acima de 50 anos vivem, atualmente,
nos EE.UU. Mais da metade possui o risco de apresentar
densitometria óssea alterada (massa óssea diminuída);
em 30% delas, irá ocorrer problema ortopédico grave
(fraturas e deformações). Um milhão e duzentas mil
fraturas ocorrem nos EE.UU. por ano em mulheres acima de
50 anos de idade. Destas, 80% juntamente com a maior
parte das 200.000 fraturas do colo do fêmur, são
causadas pela osteoporose.
No
nosso meio, o quadro deverá ser diferente, agravado
pelas dificuldades na alimentação. Ficaremos
conhecendo a estatística brasileira, quando estiver
finalizado parcialmente o trabalho do Primeiro Estudo
Prospectivo sobre a Osteoporose no Brasil no ano 2000,
agora em andamento.
As
mulheres assintomáticas não poderão se descuidar da
osteoporose, pois apesar de não terem sintomas, por
certo, com o passar dos anos, deverão ter, no mínimo,
osteopenia que é uma forma branda de osteoporose. Para
evitar isso deverão ter uma alimentação adequada,
fazer exercícios físicos rotineiros e, talvez, reposição
hormonal.
Quem
deverá usar hormônios? Quem poderá usar hormônios?
Quem jamais deverá usá-los?
Toda
mulher, em princípio, pode tomar hormônios em
substituição à baixa produção hormonal dos ovários.
Há quem substitua o verbo grifado poder por dever. A
cautela nos obriga a não sermos tão radicais. Tenho
recomendado a algumas pacientes que suspendam o seu
tratamento
hormonal
temporariamente, sem suspender os outros quesitos gerais
que também são importantes. A escola naturalista, por
exemplo, não administra hormônios às suas pacientes,
mas as incita a praticar exercícios físicos
condizentes com as suas idades, expor-se ao sol brando
(antes das 10:00 e depois das 17:00 - horário de verão)
e aumentar a ingestão de cálcio. Como acredito que a
administração de hormônios traz mais benefícios do
que problemas à mulher, prescrevo hormônios, a princípio,
a toda mulher que apresente deficientes níveis de um ou
de outro.
É
importante aqui ressaltar que uma cuidadosa avaliação
clínica deva ser feita, excluindo aquelas mulheres que
não podem tomar hormônios e prescrevendo com cautela
para aquelas nas quais os cuidados devam ser redobrados.
Há ainda o grupo que não poderá se beneficiar com a
HTR: as portadoras de enfermidade hepática crônica ou
aquelas que desenvolveram sintomas relacionados com
intoxicação hepática medicamentosa (hepatite química);
as portadoras de doença maligna do útero e da mama não
deverão receber estrógenos; as mulheres que tiveram no
passado um processo trombo-embólico grave, a princípio,
também não devem tomar hormônios.
Exame
médico:
Normalmente, sugere-se às mulheres (e aos
homens também) fazer uma consulta médica anual. Esse
é um prazo aceitável que pode impedir problemas maiores,
não só relacionáveis com hormônios.
Nesse intervalo
de um ano, a mulher, no entanto, não deve descuidar-se.
Deve continuar prestando atenção ao seu organismo, prestando
atenção ao seu ciclo menstrual, às suas mamas,
desenvolvendo o auto-exame mamário a cada 2 meses. Deve
prestar atenção no seu aparelho digestivo, no aparelho
urinário e também na sua libido (apetite sexual).
Modificações na rotina normal dos órgãos e sistemas
do corpo humano devem servir de alerta para procurar antecipar
a visita médica.
Por exemplo,
se, no intervalo entre um exame de rotina e outro, ocorrerem
alterações dos hábitos intestinais, não espere completar
um ano. Telefone para o seu médico e ele poderá orientá-la
da necessidade ou não de submeter-se a um exame clínico
ou laboratorial. Da mesma forma, se o fluxo menstrual se
modificar para mais (ou para menos), antecipe a sua
visita ginecológica.
Quando
a mulher inicia a reposição hormonal, no entanto, o número
de visitas e a freqüência delas é modificada. Há
necessidade de um controle mais assíduo até
estabilizar as dosagens hormonais. No primeiro ano de
tratamento hormonal, as visitas deverão ser a cada três
meses, para que o ginecologista possa avaliar,
corretamente, os efeitos benéficos e os indesejáveis causados
pela administração de hormônios.
Além
da rotina clínica e hormonal, os exames de laboratório
deverão ser incluídos para, com eles, avaliar o organismo
como um todo, os hábitos alimentares e a aptidão física.
Resumindo e facilitando a compreensão, diríamos que o
exame anual para homens e mulheres é uma boa praxe na
conservação da saúde e profilaxia de enfermidades
mais graves; que o intervalo de uma consulta e outra
deve ser inicialmente regido pelos sintomas ou alteração
da forma de funcionamento dos órgãos e sistemas; que
os exames laboratoriais, embora maçantes e
dispendiosos, são necessários no auxílio ao médico e
no diagnóstico clínico mais eficiente.
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