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Menopausa
   

Dr. Einar Arthur Berger - Ginecologia da Terceira Idade :-

 

Parte 4
Como evitar que as mulheres assintomáticas passem a desenvolver osteoporose?

A população, de um modo geral, não conhecia o termo osteoporose, mas, a partir de meados da década de 90 está se inteirando melhor do seu significado. Ocorre que toda esta mudança no comportamento médico com relação aos hormônios possui estreita ligação com a osteoporose.

O que é osteoporose?
É uma enfermidade do osso que se caracteriza pela perda progressiva e muito lenta do conteúdo de cálcio, causando perda da massa óssea. A massa óssea diminuída irá causar a queda da densidade óssea, causando, como conseqüência, porosidade do tecido ósseo ou osteoporose.

Existem muitos tipos de osteoporose com suas respectivas causas. Vamos fazer breves comentários sobre a osteoporose da pós-menopausa. É semelhante à osteoporose senil que também afeta o homem, mas com mecanismos que diferem um pouco entre si.

O corpo humano, a grosso modo, possui um sistema que leva cálcio novo para dentro da massa óssea e que remove o cálcio velho, promovendo, dessa forma, uma constante renovação deste elemento dentro do osso. Esse sistema é muito complexo, havendo concorrência entre as principais glândulas de secreção interna como a tireóide, através dos hormônios paratireoideo e calcitonina, os ovários, as supra-renais e a própria hipófise que comanda a todas elas. Na menopausa, a perda do cálcio está aumentada, ou melhor dito, os mecanismos de reposição estão diminuídos pela falta dos hormônios estrogênicos produzidos pelos ovários que insentivam a reposição do cálcio no osso. Como conseqüência e com o passar dos anos, ocorre o empobrecimento do osso do elemento cálcio e a massa óssea diminui, advindo com isso a osteoporose.

Como ilustração, vou comentar uma estatística americana sobre a osteoporose. Aproximadamente 45 milhões de mulheres com idade acima de 50 anos vivem, atualmente, nos EE.UU. Mais da metade possui o risco de apresentar densitometria óssea alterada (massa óssea diminuída); em 30% delas, irá ocorrer problema ortopédico grave (fraturas e deformações). Um milhão e duzentas mil fraturas ocorrem nos EE.UU. por ano em mulheres acima de 50 anos de idade. Destas, 80% juntamente com a maior parte das 200.000 fraturas do colo do fêmur, são causadas pela osteoporose.

No nosso meio, o quadro deverá ser diferente, agravado pelas dificuldades na alimentação. Ficaremos conhecendo a estatística brasileira, quando estiver finalizado parcialmente o trabalho do Primeiro Estudo Prospectivo sobre a Osteoporose no Brasil no ano 2000, agora em andamento.

As mulheres assintomáticas não poderão se descuidar da osteoporose, pois apesar de não terem sintomas, por certo, com o passar dos anos, deverão ter, no mínimo, osteopenia que é uma forma branda de osteoporose. Para evitar isso deverão ter uma alimentação adequada, fazer exercícios físicos rotineiros e, talvez, reposição hormonal.

Quem deverá usar hormônios? Quem poderá usar hormônios? Quem jamais deverá usá-los?

Toda mulher, em princípio, pode tomar hormônios em substituição à baixa produção hormonal dos ovários. Há quem substitua o verbo grifado poder por dever. A cautela nos obriga a não sermos tão radicais. Tenho recomendado a algumas pacientes que suspendam o seu tratamento 

hormonal temporariamente, sem suspender os outros quesitos gerais que também são importantes. A escola naturalista, por exemplo, não administra hormônios às suas pacientes, mas as incita a praticar exercícios físicos condizentes com as suas idades, expor-se ao sol brando (antes das 10:00 e depois das 17:00 - horário de verão) e aumentar a ingestão de cálcio. Como acredito que a administração de hormônios traz mais benefícios do que problemas à mulher, prescrevo hormônios, a princípio, a toda mulher que apresente deficientes níveis de um ou de outro.

É importante aqui ressaltar que uma cuidadosa avaliação clínica deva ser feita, excluindo aquelas mulheres que não podem tomar hormônios e prescrevendo com cautela para aquelas nas quais os cuidados devam ser redobrados. Há ainda o grupo que não poderá se beneficiar com a HTR: as portadoras de enfermidade hepática crônica ou aquelas que desenvolveram sintomas relacionados com intoxicação hepática medicamentosa (hepatite química); as portadoras de doença maligna do útero e da mama não deverão receber estrógenos; as mulheres que tiveram no passado um processo trombo-embólico grave, a princípio, também não devem tomar hormônios.

Exame médico:
Normalmente, sugere-se às mulheres (e aos homens também) fazer uma consulta médica anual. Esse é um prazo aceitável que pode impedir problemas maiores, não só relacionáveis com hormônios.

Nesse intervalo de um ano, a mulher, no entanto, não deve descuidar-se. Deve continuar prestando atenção ao seu organismo, prestando atenção ao seu ciclo menstrual, às suas mamas, desenvolvendo o auto-exame mamário a cada 2 meses. Deve prestar atenção no seu aparelho digestivo, no aparelho urinário e também na sua libido (apetite sexual). Modificações na rotina normal dos órgãos e sistemas do corpo humano devem servir de alerta para procurar antecipar a visita médica.

Por exemplo, se, no intervalo entre um exame de rotina e outro, ocorrerem alterações dos hábitos intestinais, não espere completar um ano. Telefone para o seu médico e ele poderá orientá-la da necessidade ou não de submeter-se a um exame clínico ou laboratorial. Da mesma forma, se o fluxo menstrual se modificar para mais (ou para menos), antecipe a sua visita ginecológica.

Quando a mulher inicia a reposição hormonal, no entanto, o número de visitas e a freqüência delas é modificada. Há necessidade de um controle mais assíduo até estabilizar as dosagens hormonais. No primeiro ano de tratamento hormonal, as visitas deverão ser a cada três meses, para que o ginecologista possa avaliar, corretamente, os efeitos benéficos e os indesejáveis causados pela administração de hormônios.

Além da rotina clínica e hormonal, os exames de laboratório deverão ser incluídos para, com eles, avaliar o organismo como um todo, os hábitos alimentares e a aptidão física. Resumindo e facilitando a compreensão, diríamos que o exame anual para homens e mulheres é uma boa praxe na conservação da saúde e profilaxia de enfermidades mais graves; que o intervalo de uma consulta e outra deve ser inicialmente regido pelos sintomas ou alteração da forma de funcionamento dos órgãos e sistemas; que os exames laboratoriais, embora maçantes e dispendiosos, são necessários no auxílio ao médico e no diagnóstico clínico mais eficiente.

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