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Menopausa
   

Dr. Einar Arthur Berger - Ginecologia da Terceira Idade :-

 

Parte 2
Por que as mulheres necessitam de hormonioterapia?

Na mulher, os hormônios deverão ser administrados sempre que existir uma deficiência deles, ou seja, quando os níveis de estrógenos e/ou de progesterona estiverem baixo ou ausentes de forma a causar danos clínicos e, como conseqüência, sintomas.

Durante o ciclo normal reprodutivo da mulher, os ovários produzem tanto os estrógenos quanto a progesterona de uma forma cíclica. Durante o ano, ocorrem de doze a treze ovulações na mulher. A cada preparo da ovulação nas primeiras duas semanas, existe produção crescente de estrógenos. Logo após á eclosão do óvulo, há a formação de progesterona. Dessa maneira e ciclicamente, nas primeiras duas semanas, formam-se os estrógenos e, nas últimas duas, num ciclo de quatro, reina a progesterona. Esse processo, que se inicia quando a menina atinge mais ou menos os 11 anos (menarca), termina aos 50 anos (menopausa). Há meninas que já menstruam pela primeira vez aos 9 anos; outras, apenas aos 15, como também a menopausa pode acorrer já aos 39 anos ou apenas aos 55 anos.

Se pudéssemos observar o mundo há 100 anos, poderíamos detectar que a vida média da humanidade não ultrapassava os 50 anos. Em outras palavras, alguém que nascesse por volta de 1900, teria poucas possibilidades de viver alguns anos no século seguinte. E sempre foi assim porque, biologicamente, a nossa espécie vive isso mesmo, não mais do que 50 anos em média. Por essa razão, somos afetados a partir dos 42 de presbiopia. Presbiopia? Nada mais nada menos do que a necessidade de esticar o braço ao tentarmos ler a lista telefônica e posteriormente ter que usar os "oclinhos" para a leitura. Exatamente isso: o final da nossa carreira biológica chega e nos mostra que nossos órgãos já não têm mais o mesmo vigor de outrora. Daí o termo presbiopia derivado do grego presbyos que significa velho. Nessa etapa, na mulher, ocorre um fenômeno indicando o final biológico da reprodução, já desnecessária, porque, em poucos anos, ela atingiria o seu tempo de vida média e não teria como criar o seu filho. Nada mais lógico e real da natureza cancelar a ovulação e, como consequência, a menstruação advindo, então, a menopausa.

Para resumir, no século XIX, nós, os humanos, envelhecíamos logo após os 40 anos e morríamos em torno dos 50 e, por

essa razão, até o primeira metade do século XX, nossa expectativa de vida era muito diferente da atual. Pela simples razão de estarmos programados pela natureza para vivermos somente 50 anos, biologicamente nosso código genético não teve o tempo suficiente para modificar o seu marcapasso neste século e permitir que hoje homens e mulheres ativos ainda aos 70 ou 80 anos possam ler e escrever sem o auxílio de óculos. Da mesma forma, o código genético mantém a idade dos 50 anos para interromper a reprodução e, como conseqüência, suspender a menstruação.

A medicina moderna proporcionou à humanidade atual de 20 a 40 anos a mais de vida quando comparada à dos nossos semelhantes do século passado. Isso é bom? Eu acho que sim e creio que a maioria pensa da mesma forma. No entanto isso não está isento de problemas e tropeços. Por exemplo: se podemos viver 80 anos, por que nos aposentar aos 50? O que fazer nos restantes 30?

Se podemos viver 80 anos, como ficar 30 anos sem poder ler (se não existissem os óculos)? Da mesma forma e retornando ao tema proposto, o que fazer com os 20 ou 30 anos de vida conjugal a mais se, sem hormônios, a coabitação se torna difícil e às vezes impossível e até indesejável, os sintomas vasomotores (calorões), insuportáveis e o enfraquecimento dos ossos (osteoporose), com o passar do tempo, intolerável.

É neste ponto que a mulher irá se beneficiar com a hormonioterapia. Portanto a mulher moderna vive 20 a 30 anos a mais do que a mulher do século passado e 10 anos a mais do que o homem atual. Ela precisa de ajuda de uma maneira global, consciente e segura.

Global porque não necessita se cuidar só através de medicamentos, mas também com alimentação adequada e exercícios contínuos - Consciente porque tanto ela quanto o seu médico, devem conhecer - e muito bem - os caminhos que virão a trilhar juntos - Segura porque o uso de hormônios ou outras drogas não deverá jamais causar efeitos colaterais sérios ou perversos.

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