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Na
mulher, os hormônios deverão ser administrados sempre
que existir uma deficiência deles, ou seja, quando os níveis
de estrógenos e/ou de progesterona estiverem baixo ou
ausentes de forma a causar danos clínicos e, como
conseqüência, sintomas.
Durante o ciclo normal reprodutivo da
mulher, os ovários produzem tanto os estrógenos quanto
a progesterona de uma forma cíclica. Durante o ano,
ocorrem de doze a treze ovulações na mulher. A cada
preparo da ovulação nas primeiras duas semanas, existe
produção crescente de estrógenos. Logo após á eclosão
do óvulo, há a formação de progesterona. Dessa
maneira e ciclicamente, nas primeiras duas semanas, formam-se
os estrógenos e, nas últimas duas, num ciclo de
quatro, reina a progesterona. Esse processo, que se
inicia quando a menina atinge mais ou menos os 11 anos
(menarca), termina aos 50 anos (menopausa). Há meninas
que já menstruam pela primeira vez aos 9 anos; outras,
apenas aos 15, como também a menopausa pode acorrer já
aos 39 anos ou apenas aos 55 anos.
Se pudéssemos observar o mundo há
100 anos, poderíamos detectar que a vida média da
humanidade não ultrapassava os 50 anos. Em outras
palavras, alguém que nascesse por volta de 1900, teria
poucas possibilidades de viver alguns anos no século
seguinte. E sempre foi assim porque, biologicamente, a
nossa espécie vive isso mesmo, não mais do que 50 anos
em média. Por essa razão, somos afetados a partir dos
42 de presbiopia. Presbiopia? Nada mais nada menos do que
a necessidade de esticar o braço ao tentarmos ler a
lista telefônica e posteriormente ter que usar os
"oclinhos" para a leitura. Exatamente isso: o
final da nossa carreira biológica chega e nos mostra
que nossos órgãos já não têm mais o mesmo vigor de
outrora. Daí o termo presbiopia derivado do grego presbyos
que significa velho. Nessa etapa, na mulher, ocorre um
fenômeno indicando o final biológico da reprodução,
já desnecessária, porque, em poucos anos, ela
atingiria o seu tempo de vida média e não teria como
criar o seu filho. Nada mais lógico e real da natureza
cancelar a ovulação e, como consequência, a menstruação
advindo, então, a menopausa.
Para resumir, no século XIX, nós, os
humanos, envelhecíamos logo após os 40 anos e morríamos
em torno dos 50 e, por
essa
razão, até o primeira metade do século XX, nossa
expectativa de vida era muito diferente da atual. Pela
simples razão de estarmos programados pela natureza para
vivermos somente 50 anos, biologicamente nosso código
genético não teve o tempo suficiente para modificar o
seu marcapasso neste século e permitir que hoje homens
e mulheres ativos ainda aos 70 ou 80 anos possam ler e
escrever sem o auxílio de óculos. Da mesma forma, o código
genético mantém a idade dos 50 anos para interromper a
reprodução e, como conseqüência, suspender a
menstruação.
A medicina moderna proporcionou à
humanidade atual de 20 a 40 anos a mais de
vida quando comparada à dos nossos semelhantes do século
passado. Isso é bom? Eu acho que sim e creio que a
maioria pensa da mesma forma. No entanto isso não está
isento de problemas e tropeços. Por exemplo: se podemos
viver 80 anos, por que nos aposentar aos 50? O que fazer
nos restantes 30?
Se podemos viver 80 anos, como ficar
30 anos sem poder ler (se não existissem os óculos)?
Da mesma forma e retornando ao tema proposto, o que fazer
com os 20 ou 30 anos de vida conjugal a mais se, sem
hormônios, a coabitação se torna difícil e às vezes impossível e até
indesejável, os sintomas vasomotores (calorões),
insuportáveis e o enfraquecimento dos ossos
(osteoporose), com o passar do tempo, intolerável.
É neste ponto que a mulher irá se
beneficiar com a hormonioterapia.
Portanto a mulher moderna vive 20 a 30 anos a mais do
que a mulher do século passado e 10 anos a mais do que
o homem atual. Ela precisa de ajuda de uma maneira global,
consciente e segura.
Global porque não necessita
se cuidar só através de medicamentos, mas também com
alimentação adequada e exercícios contínuos - Consciente
porque tanto ela quanto o seu médico, devem conhecer -
e muito bem - os caminhos que virão a trilhar juntos - Segura
porque o uso de hormônios ou outras drogas não deverá
jamais causar efeitos colaterais sérios ou perversos.
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